Padre Manuel Eduardo Thomás Iglesias Rivas, SJ

6 de agosto de 1933 — 14 de setembro de 2020

Padre Iglesias nasceu em Santiago de Compostela, Espanha, em 6 de agosto de 1933, filho de Manuel Iglesias Curti e Carmen Rivas Anido. Formou-se em direito na Universidade de Santiago de Compostela.

Ingressou na Companhia em Salamanca, em 12 de novembro de 1958. Em 13 de novembro de 1960 fez os votos do biênio. Estudou filosofia em Comillas-Santander, e no Colégio Anchieta, Nova Friburgo, RJ. Em 1964 foi para os Estados Unidos, estudar teologia. Em 20 de maio de 1967 foi ordenado presbítero em Puente Grande, Guadalajara, no México. Trabalhou no Centro Cultural de Brasília (1969-77) e diretor do CIES (1998-2003); em Campinas no noviciado, como sócio do Mestre de Noviços, P. Netto; em Belo Horizonte, na FAJE, como orientador espiritual e coordenador da pastoral, e finalmente, em Indaiatuba, como confessor, orientador de EE. O testemunho do P. Pedro Rubens Ferreira nos apresente muito bem o P. Iglesias:

Lembrarei com saudades agradecidas do amigo e companheiro Manolo Iglesias: ele deixa muitos amig@s e filh@s espirituais, entre os quais eu me inscrevo. Tive a alegria de conhecer Iglesias, como muitos de minha geração, em 1985, no “Escolasticado” da SJ, primeiro projeto de unificação das Províncias do Brasil, em Belo Horizonte. Nessa casa e instituto de formação, Iglesias chegou como espiritual e responsável geral do discernimento e reflexão pastoral, o que já parecia bastante, mas ele logo abriu novos horizontes, notadamente atento ao ministério dos Exercícios Espirituais.

Fomos companheiros na pequena comunidade Padre Arrupe, no bairro Campo Alegre, onde ele disse ter aprendido a cozinhar comigo (na verdade, fazíamos juntos o jantar, uma vez por semana). Era um homem de escuta profunda, palavras simples e gestos simpáticos.

Perdoem-me recordar um fato bastante pessoal que mostra a grandeza de um companheiro: quando foi ao Ceará pela primeira vez, ele fez questão de visitar minha família, em Vazantes, em seu dia de folga; além das estradas difíceis do interior, estava chovendo e o rio estava cheio, mas ele não recuou e atravessou o rio montado em um burrico… Ao retornar, disse-me: “foi uma decepção encontrar seus pais, porque descobri que você não tem nada de original, herdou tudo deles”.

Nunca escutei Iglesias falar mal de ninguém: praticava, de maneira impecável, o princípio inaciano de “salvar a proposição do próximo”!

Nos anos 1990, dois projetos nos tornaram cúmplices e parceiros: primeiro, o curso de Teologia Pastoral do ISI (hoje FAJE) e, segundo, montamos o livro “Canta Povo de Deus” (Loyola): na apresentação onde está escrito “equipe” esconde-se o nome e o jeito articulador dele.

Quem não o conheceu pessoalmente leia um de seus livros ou converse com alguém que ele encontrou e terá acesso a muitos “causos” singelos, sempre com humor e mística, expressão de uma espiritualidade rezada, vivida, ruminada, autêntica… Antes de escrever, ele gostava de narrar e pedir sugestões, nas rodas de conversas, nas homilias da eucaristia doméstica, nas caminhadas ou durante a própria orientação espiritual. Assim, nos livros dele reencontramos muita gente.

Adorava a cidade e o povo de Brasília, certamente porque, como dizia, tinha gente do Brasil todo. Em todo caso, aí Iglesias viveu e trabalhou em dois períodos da vida, fazendo um trabalho miúdo e profundo, a partir do CCB: lá nos encontramos muitas vezes e partilhamos angústias e esperanças, sobretudo em relação à SJ. Partiu sem visualizar um  projeto apostólico arrojado na capital do país, mas nunca deixou de sonhar e reinventar a missão nessa cidade emblemática. Nesses últimos anos, viveu na paz do Mosteiro de Itaici: lembro-me, em um de nossos encontros, do seu entusiasmo com um “blog” e as possibilidades de encontros com tanta gente: parecia uma criança vivida…

Uma pessoa sensível, um jesuíta bom, um missionário inculturado, um espiritual profundo, um ser humano inteiro e simples… um homem de Igreja, um homem de Deus! Confesso que convivi com um santo do cotidiano… Que Iglesias, agora mais juntinho do Senhor, interceda por nós!

Pedro Rubens

Jesuítas

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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