Palavras de Jesus na Cruz

Pe. Moisés Nonato Quintela Ponte, SJ

Sexta-feira Santa – roteiro orante

Eles voltarão o olhar para aquele que transpassaram.

Jo 19,37

Eis a profecia que são João vê cumprir-se em Jesus. Profecia-convite para que dirijamos nosso olhar ao Cristo crucificado.

O nosso olhar se dirige a Jesus, o nosso olhar se mantém no Senhor!

Taizé

Vinde todos, contemplemos na cruz a prova maior de amor, a resposta de Deus à maldade humana. Àqueles que lhe deram morte, Jesus se faz perdão:

Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem.

Lc 23,34

Eis, na cruz, o servo do Senhor (Is 53). Não desviemos o olhar de seu rosto desfigurado, desumanizado. Ele não tem beleza nem aspecto que nos atraia. Homem desprezado pelos homens, tido por um castigado, por Deus ou em seu nome, amaldiçoado. Maltratado, humilhado… não abre a boca… intrigante silêncio.

Que se volte o nosso olhar ao rei dos judeus cuja coroa é de espinhos; ao sumo sacerdote “capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos com toda a confiança, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça” (Hb 4,15).

Ânimo! Velemos junto a Ele! Não o abandonemos agora. Fixo se mantenha o nosso olhar em sua paixão de sangue e suor. Em seu rosto vulnerado, o rosto de uma humanidade ferida; dolorosa face de ignotos sofredores, vítimas de guerras, de abusos, da fome, da solidão, da ambição antropofágica de “velhos” abusadores encarquilhados no mal… (Dn 13, 52).

Que o nosso olhar adentre o coração de Jesus, onde sentimentos opostos se encontram. Coração angustiado dos que hoje, isolados, padecem a distância de seus caros. Experiência cruciante, a dilacerar corpo e alma de quem nos hospitais padece o sufoco enfermiço da solidão. Mistura de amor e medo, de presença e distância, de confiança e abandono…

Meus Deus, meu Deus por que me abandonaste?

Mt 27,46

Que o nosso olhar se volte à súplica nazarena de uma terra devastada, a clamar cuidado. Em seu gemido, o rogo de uma humanidade sedenta de amor, de atenção, de afeto, de sentido, de justiça e, absurdamente, de água para beber.

Tenho sede.

Jo 19,28

Repousem nossos olhos no mistério inefável de um Deus que se esvazia. De condição divina, assumiu a condição de escravo, de novos e antigos tráficos. “Fez-se pecado por nós para que, nEle” (2Cor 5,21), ao menor sinal de arrependimento, fôssemos perdoados:

Em verdade te digo, hoje mesmo estarás comigo no paraíso.

Lc 23,43

Em silêncio reverente, distanciemo-nos dos varões que vociferam, caçoam, maltratam, humilham… Acheguemo-nos ao ventre materno da cena. Demoremo-nos junto a seus pés, outra vez banhados pelo pranto de quem na pele conhece a violência viril. Mulheres, Marias, mães que aos pés da cruz choram a paixão e morte de seus filhos. Amando-nos até o fim, confia-nos o único bem que ainda lhe resta, sua mãe. Na maternidade de uma mulher, somos irmanados:

Mulher, eis aí o teu filho. Eis aí tua mãe!

Jo 19,26

Coragem! Não desviemos nosso olhar! Em seu corpo nu e exânime, corpos de náufragos em busca de novo mundo… migrantes a definhar sob o sol e intempéries… exauridos suas forças e sonhos, já não podem senão expirar o último fio que da vida lhes resta:

Pai, em tuas mãos eu entrego o meu Espírito.

Lc 23,46

No rosto inerte do homem das dores, arrostemos a própria morte. “Tudo está consumado!” (Jo 19,30). Eis o mistério da fé! De seu lado perfurado, a vida insiste em fluir. Escorre no sangue, submerge na água…

É chegada a hora das trevas. Há silêncio, faz escuro… quanto ainda restará da noite? “A sentinela responde: ‘A manhã vem chegando, mas ainda é noite. Se quereis perguntar, perguntai! Vinde de novo!’” (Is, 21, 11-12).

— V.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.

— T.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.


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ATELIÊ 15
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Espiritualidade cristã

3 comentários Deixe um comentário

  1. Enquanto estivermos com o olhar voltado a dor, desesperança e ao egoísmo, padeceremos sem perceber e sentir o verdadeiro amor de Deus . Que belo roteiro Pe.Moisés! Uma semelhança do nosso dilema vivido atualmente

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