Poema de duas faces ou mais…

Joana Eleuthério

Quando nasci,
uma mãe preta
me batizou.

Não podia ser
João Batista,
o santo do dia.

Teria de ser
Joana – decretou ela,
Maria, completou minha mãe.
Como as seis irmãs que
nasceram antes dela.

Era uma manhã fria,
dia de fogueira de São João.

bicoitos mineiros,
bolo de fubá,
chá de funcho, de erva-doce e
de alfavaca para acompanhar.

Assim, caipira e desconfiada,
em meio às montanhas de Minas,
cresci com a marca
visionária de Joana d’Arc.

Sou maluca,
pré-destinada à fogueira.

E como, Maria,
tento equilibrar
tal destino.

O desejo de ser mãe
do mundo e de provocar
uma grande revolução.

“Meu Deus,
por que me abandonaste?”
Sabias que eu não era Maria
e me conhecias antes
mesmo de eu me formar
no útero de minha mãe.

Conhecias bem
a minha fragilidade…

E agora, Joana Maria?
Quem se tornou você,
neste mundo
do século XXI?

Cumpro a sina:
o que sinto escrevo.
Pago micos
e carrego bandeiras…

Joana Eleuthério é graduada em Letras. servidora pública aposentada da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal.

Poesia

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Caminhante sem nenhuma linearidade e com variados interesses.

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