Rezando o pão que desceu do céu e a nossa fé

Joana Eleuthério

Temos fome, Senhor!
Fome e sede de tua presença.

“Devemos dizer com força e sem medo: temos fome, Senhor. Fome de pão, fome de fraternidade, fome de Deus. Somente esta fome vai nos tirar de nossos fechamentos e solidões, da indiferença e nos abrir para a ternura e a conversão.” (Papa Francisco)

Em tempos tão sombrios, temos andado famintos e sedentos da Palavra e do Pão, a verdadeira comida e a verdadeira bebida que Jesus veio nos oferecer em todos os Evangelhos dessa Terceira Semana da Páscoa – de 5 a 11 de maio de 2019:

No domingo, Jesus preparou o braseiro com peixes e pães para nos alimentar quando amanhecemos cansados, famintos, desesperançados e com as redes vazias. Esperou-nos para dar graças e repartir de novo o pão verdadeiro para reaquecer nosso coração e alimentar nossa esperança depois da noite escura e gelada, desde o Gólgota em Jerusalém.

Na segunda-feira, Jesus recomendou-nos o zelo e o esforço para buscar o pão que não se perde e que permanece até a vida eterna – o pão vivo, que nos é dado pelo Filho do Homem. Assim, ao  nos alimentarmos com esse pão, teremos a vida verdadeira, muito além da simples sobrevivência.

Na terça-feira, Jesus nos disse: ‘Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu para que seus pais não morressem de fome. Porque só o meu Pai pode dar o verdadeiro pão do céu: o pão divino é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.’

— Queremos desse pão, Senhor!

Na quarta-feira, Jesus foi ainda mais explícito e declarou: ‘Eu sou o pão da vida, o pão vivo que desceu do céu: quem vem a mim nunca mais terá fome e aquele que crê em mim nunca mais terá sede.’ Tais palavras lembram-nos do seu diálogo com a samaritana quando disse a ela: ‘Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede.’. Jesus ainda explicou que cuidará de todos aqueles que o Pai lhe confiou: ‘Eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou. E a vontade Dele é que nenhum daqueles que vierem até mim se perca para ressuscitarem comigo na plenitude dos tempos.’

Na quinta-feira, Jesus lembra o que está escrito nas Profecias:  todos seremos discípulos de Deus. ‘Se escutarem o Pai e forem dóceis ao que Ele ensina, virão até mim porque aquele que crê, já tem a vida eterna.’ E de novo ouvimos de Jesus:

Eu sou o pão da vida.
Os vossos pais comeram o maná no deserto
e, no entanto, morreram.
Eis aqui o pão que desce do céu:
quem dele comer, nunca morrerá.
Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei é
a minha carne dada para a vida do mundo.


João 6, 48-51


Na sexta-feira, Jesus enfatiza tudo que disse antes: O Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa Dele, e aquele que me come viverá por causa de mim. Ouçamos e entendamos: ‘Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram e depois morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre… A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele.’

No sábado, Jesus já havia percebido a dúvida pairando entre aqueles que o ouviam: ‘Como é que ele pode dar a sua carne a comer?’ Muitos dos discípulos de Jesus murmuravam entre eles: ‘Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?’ Então Jesus se dirigiu a eles querendo saber se eles também estavam escandalizados como os outros, porque eles ainda veriam o Filho do Homem subindo para onde estava antes, ou seja, para junto do Pai. Disse-lhes então: ‘As palavras que vos falei são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não creem’. Jesus acrescentou: ‘É por isso que vos disse que ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai’.

Muitos discípulos foram embora naquele momento. Então Jesus quis saber dos doze se mais algum ia desistir de caminhar com ele, mas Simão Pedro falou em nome todos: ‘A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna.’

Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.

Como Enzo Bianchi nos diz, a Palavra de Deus no Antigo Testamento sempre foi interpretada como alimento, o pão que dá vida à humanidade. Agora essa Palavra, desde Moisés e os profetas, passou a ser um homem – é a Palavra de Deus humanizada em Jesus de Nazaré – o filho de Maria e do carpinteiro José. É o Deus feito homem que se entrega a todos homens e a todas as mulheres como “pão da vida”, o pão que traz a vida. Bianchi vê a impossibilidade de comentar as palavras de Jesus e sugere que elas devam ser apenas acolhidas em adoração. Jesus, um judeu marginal da Galileia, é o nosso alimento, o pão para a nossa vida de verdadeiros cristãos.

Nutridos com esse pão que desceu dos céus, desejosos de viver na presença da Trindade e sob a sua Luz, recordemos e rezemos com os bispos do Brasil, que saíram da 57ª Assembleia Geral, quando foi eleita a nova presidência e o secretário-geral da CNBB para um período de quatro anos. O posicionamento da instituição se faz muito claro:

Longe de nos alienar, a alegria e a esperança pascais abrem nossos olhos para enxergarmos, com o olhar do Ressuscitado, os sinais de morte que ameaçam os filhos e filhas de Deus, especialmente, os mais vulneráveis. Estas situações são um apelo a que não nos conformemos com este mundo, mas o transformemos (cf. Rm 12,2), empenhando nossas forças na superação do que se opõe ao Reino de justiça e de paz inaugurado por Jesus. (Mensagem CNBB)

Como discípulas e discípulos de Jesus, tenhamos força e sem nenhum medo, rezemos para todo o mundo ouvir e saber: “Temos fome, Senhor!” E só Tu tens o pão e as palavras de vida eterna. Fomos atraídos, fomos atraídas pelo Pai e queremos seguir o Filho, dando continuação à construção do Reino, começando pela nossa verdadeira conversão e humildade.

E não nos cansemos de repetir com o Papa Francisco: “Temos fome, Senhor, de encontros onde a vossa Palavra seja capaz de elevar a esperança, despertar a ternura, sensibilizar o coração abrindo caminhos de transformação e conversão.”

Amém!

Brasília (DF), 11 de maio de 2019.


Joana Eleuthério é graduada em Letras. servidora pública aposentada da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal.

Imagem:
Joos van Cleve. A última ceia, 1525. Museu do Louvre, Paris, França.

Espiritualidade

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Caminhante sem nenhuma linearidade e com variados interesses.

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