Guerra Comercial – que bicho é esse?

Dalmo Coelho *

Uma primeira inquietação que pode surgir é: por que falar de temas globais em um blog de teografias do cerrado? A motivação remonta a um documento da Igreja do século passado e é sempre bom ser lembrada:

«A primeira e imediata tarefa dos leigos é o vasto e complicado mundo da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes»

Paulo VI. Evangelii Nutiandi, 70

Assim, fica aqui a proposta de tratar, nesse blog, de temas ligados ao xadrez global e suas implicações na vida do nosso povo e na nossa realidade.

Não poderia começar por outro tópico da atualidade planetária que não fosse a Guerra Comercial, tema relevante, candente e que está causando turbulências e incertezas mundo afora. Na mídia especializada não se fala de outra coisa, o objeto também é pauta nos principais fóruns globais e negociações de Chefes de Estado. Mas o que é a Guerra Comercial? Como foi causada? Por que tanta preocupação? Quais suas consequências?

Resumidamente, o tema trata da adoção, por diversos países, de tarifas, subsídios e barreiras ao comércio que possam ser usadas como moeda de troca em negociações internacionais em relações pontuais ou em nichos específicos. Entretanto, em março de 2018, o presidente Donald Trump anunciou tarifas às importações chinesas da ordem de US$ 50 bilhões (escalonadas a partir de julho) além de outras medidas: Pequim, por seu lado, respondeu com sobretaxas a determinadas importações norte-americanas na mesma magnitude. Medidas dessa escala são inéditas e terão efeitos imprevisíveis no comércio e nas relações globais.

A origem da decisão é política, tem a ver com a linha eleita pela nova administração de “America first!” e vai na contramão da doutrina neoliberal e do livre comércio defendidos pelos estadunidenses até então. As consequências podem ser sem precedentes, pois as cadeias de suprimentos de ambos se espalham por dezenas de países (inclusive latino-americanos). Estima-se que o impacto possa chegar a -0,5% no PIB de cada país contendor em 2019 (com o detalhe que o crescimento do PIB chinês é cerca de o dobro do seu principal parceiro comercial).

Além dessas medidas, o governo Trump sobretaxou também importações de países parceiros como México, Canadá e… Brasil. Houve os que responderam à altura (como o Canadá), e outros que ainda estão avaliando a situação. Parece que a administração ianque está se empenhando num esforço geopolítico pela supremacia do comércio mundial. Fica a dúvida se a administração Trump conseguirá lidar com tantas frentes simultâneas de conflitos e seus complexos resultados.

E o Brasil? Hoje, a China é o país com maior relação comercial com o nosso país (US$ 80 bilhões/ano), os EUA, o segundo maior (US$ 50 bilhões/ano). Qual deveria ser a resposta brasileira à sobretaxa dos produtos minerais pelos norte-americanos? Estima-se que 1/3 das exportações de aço e alumínio possam ser afetadas, o que significaria um volume menor de divisas e déficit na balança comercial de nossa debilitada economia. Por outro lado, há quem considere que nosso país pode colher algum saldo positivo desse conflito, mas dependerá se as nossas lideranças (estamos em ano eleitoral!) estarão à altura e terão a altivez necessária para negociar e defender os interesses do país.


* Dalmo Coelho é engenheiro, peregrino e grapiúna.

Economia Geopolítica

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