Santo Antão, abade
17 de janeiro
Antão não é conhecido pelos escritos nem por uma sabedoria profana nem por qualquer capacidade, mas só pela sua piedade em relação a Deus. E ninguém poderia negar que isto é um dom de Deus. De fato, como se teria ouvido falar na Espanha e na Gália, em Roma e na África deste homem, que vivia retirado entre os montes, se o não tivesse dado a conhecer em toda a parte o próprio Deus, como ele faz com quantos lhe pertencem, e como tinha anunciado a Antão desde o princípio? E também se estes agem no segredo e desejam permanecer escondidos, o Senhor mostra-os a todos como um lampadário, para que quantos ouvem falar deles saibam que é possível seguir os mandamentos e se sintam encorajados a percorrer o caminho da virtude.
Santo Atanásio de Alexandria. Vida de Antão (93, 5-6)

Santo Antão, o Grande, nasceu por volta do ano 251 nas proximidades de Mênfis, no Egito, e faleceu em 356 no Monte Kolzim, próximo ao Mar Vermelho. Considerado o fundador do monasticismo cristão no sentido mais amplo, Santo Antão viveu a maior parte de sua longa vida em solidão, tendo reunido ao seu redor discípulos e comunidades de eremitas sobre as quais exerceu certa autoridade espiritual.
Com cerca de vinte anos, retirou-se para o deserto, estabelecendo-se inicialmente em locais próximos de sua casa no Baixo Egito. Dedicava-se à oração, ao estudo e ao trabalho manual necessário para garantir sua subsistência. Suportou numerosas tentações, espirituais e físicas, vencendo-as com firmeza. Por volta de 312, afastou-se ainda mais, passando a viver numa caverna no Monte Kolzim, que se tornou sua morada definitiva. Apesar do isolamento, era frequentemente procurado por pessoas em busca de conselho e, ocasionalmente, visitava seus seguidores. Já no fim da vida, foi a Alexandria para encorajar a oposição ao arianismo. Segundo a tradição, morreu em perfeita saúde, com mais de cem anos.
Patriarca dos cenobitas da Tebaida, Antão também é celebrado como taumaturgo. Fez numerosos e portentosos milagres, e as visões e tentações que enfrentou tornaram-se temas do imaginário popular. A biografia escrita por Santo Atanásio, seu contemporâneo, fornece valiosa fonte de informação sobre sua vida e virtudes. Ao contrário de muitos monges de seu tempo, Antão era conhecido por sua moderação e sabedoria espiritual, conduzindo sua severa austeridade com equilíbrio e discernimento.
A Ordem dos Antoninos o adotou como patrono, especialmente pelo seu vínculo com o cuidado dos doentes. Tornou-se padroeiro das doenças contagiosas e das curas milagrosas, especialmente do chamado “fogo de Santo Antão”, causado pela ingestão de pão contaminado por cravagem — condição que só foi compreendida no século XVII.
Na iconografia, Santo Antão é representado como um eremita barbudo, de idade avançada, trajando o hábito dos Antoninos, com o símbolo do tau bordado em azul sobre o ombro, e uma sineta suspensa, usada para afastar demônios e tentações. Um porco aparece frequentemente a seu lado, em alusão ao uso medicinal da banha para tratar o fogo-de-santo-antão (ergotismo). Outros atributos incluem o rosário e o livro da chamada Regra de Santo Antão (apesar de não ter escrito uma regra).
Sua memória litúrgica é celebrada em 17 de janeiro. A influência de Santo Antão, tanto em vida quanto após a morte, foi ampla em toda a Cristandade, principalmente durante a Idade Média. Permanece como figura exemplar de integridade, sabedoria espiritual e busca radical por Deus.
Para saber mais
- ATANÁSIO, santo. Vida de Santo Antão. In: Padres do Deserto. Petrópolis: Mosteiro da Virgem. [link]
- BENTO XVI, papa. Santo Atanásio. Catequese, 20 de Junho de 2007. [link]
- CORBELLINI, Vital. Santo Antão: o pai dos monges que defendeu a divindade do Verbo de Deus. Vatican News, 2023. [link]
- LUCÍA GÓMEZ-CHACÓN, Diana (2015): San Antonio Abad, Base de datos digital de iconografía medieval. Universidad Complutense de Madrid. [link]
Imagem: Santo Antão Abade. Juan Rexach (séc. XV) – Museo del Prado
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