Rezar com o Presépio (III)

Osmar Ferreira

Toda a criação se alegra

Vamos começar nossa oração lendo uma parte da carta que São Paulo escreveu enquanto estava na prisão. Ele mandou essa carta para a comunidade cristã de Colossas.
Paulo queria encorajar as amigas e amigos de Colossas a continuarem firmes na fé, então ele recorda um hino sobre Jesus. Essa canção, provavelmente, era cantada durante o batismo.

São Paulo usa uma canção que seus amigos cristãos já conheciam para falar sobre as coisas importantes da nossa fé. Ele quer que eles lembrem e entendam melhor as verdades da fé que a música conta. Ele recorre à “memória afetiva” de seus amigos e amigas para ajudá-los a saborear a alegria da fé em Jesus.

Em certos momentos, quando queremos explicar algo que sentimos e não temos as palavras adequadas, uma música nos ajuda. Algumas vezes mandamos uma música para alguém porque gostamos e achamos que aquela música agradará a pessoa ou irá fazer um bem especial para ela (um carinho musical).

Então, o trecho que a gente vai ler é da carta aos Colossenses, capítulo 1, versículos 13 a 18. Vamos ler devagar e pensar no que isso significa para a nossa fé.

Deus Pai nos arrancou do poder das trevas
e nos transferiu para o Reino do seu Filho amado,
no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.
Ele é a imagem do Deus invisível,
o Primogênito,
anterior a qualquer criatura;
porque nEle foram criadas
todas as coisas,
tanto as celestes como as terrestres,
as visíveis como as invisíveis:
tronos, soberanias, principados
e autoridades.
Tudo foi criado por meio dEle
e para Ele.
Ele existe antes de todas as coisas,
e tudo nEle subsiste.
Ele é também a Cabeça do corpo,
que é a Igreja.

Colossenses 1,13-18

Quando a gente monta o presépio, tem um jeitinho especial de fazer. O Menino Jesus, que é a parte mais importante, a gente só coloca lá no dia do Natal. Ele é o coração do presépio. Cada coisa que a gente coloca lá, seja do que a gente lê nos Evangelhos, das histórias que aprendemos, ou até das coisas diferentes que cada pessoa gosta de adicionar, tudo aponta para Ele.

Cada presépio é como uma obra de arte única que uma família ou comunidade cria. É como se tivesse as digitais e o jeitinho especial de quem fez e de quem olha para ele.

Hoje, na nossa oração com o presépio, vamos colocar as coisas que fazem parte da paisagem: montanhas, prados, fontes, riachos, plantas… Vai ficar bem legal!

O Papa Francisco assim se refere a estes elementos:

Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa na festa da vinda do Messias.

Admirabile signum, 5

Um desses profetas é Isaías que nos convida a fazer coro com a Criação, a juntar nossas alegres vozes com todas as criaturas:

Céus, gritem de alegria! Terra, alegre-se! Montanhas, rompam em aclamações, pois Javé consola o seu povo e se compadece dos seus pobres.

Isaías 49,13

O Papa Francisco, na encíclica Laudato si’[1] destacou a alegria que São Francisco de Assis expressou no Cântico das Criaturas:

Quando nos damos conta do reflexo de Deus em tudo o que existe, o coração experimenta o desejo de adorar o Senhor por todas as suas criaturas e juntamente com elas, como se vê neste gracioso cântico de São Francisco de Assis:

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas,
que no céu formaste claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo,
com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo,
pelo qual iluminas a noite:
ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

Na oração, podemos também recitar, cantar, ou expressar em movimentos graciosos, o nosso próprio cântico das criaturas.

Agora, vamos imaginar a cena

As colinas ao redor de Belém e seus campos são férteis e muito bons para o cultivo do trigo e da cevada; o que fez aquele lugar ser chamado de Belém, “Casa do Pão” em hebraico.

Nessas colinas inclinadas, encontram-se muitas oliveiras; rochas com cavernas escondidas e muitos arbustos. Isso fazia de Belém um lugar perfeito para pastores cuidarem de suas ovelhas e cabras.

Para conhecer as colinas e montanhas, a gente precisa subir nelas. Pode dar um frio na barriga às vezes, mas a vista lá de cima vale a pena! Vamos lá, caminhar e subir.

Lá de cima, dá pra ver os prados, os campos cobertos de trigo e cevada. Olhe as oliveiras, pegue uma folhinha, esfregue nos dedos e sinta o cheirinho.

Vamos visitar as cavernas, brincar com o eco que elas fazem.

Depois, vamos descer pelas encostas, procurar uma fonte de água, parar, descansar, tirar o sapato, beber um pouco dessa água fresca que a fonte nos oferece. Respire fundo, sinta o vento no rosto, o calor do sol em sua pele.

Vamos em direção aos campos, caminhar devagarinho, sem pressa.

Vamos soltar a imaginação e colocar no nosso presépio interior todas as paisagens que lembramos. Vamos caminhar por esses lugares, olhar e apreciar a vista, fazer uma pausa, descansar e seguir caminhando.

Deixe a natureza entrar na sua oração. Fique feliz, encantado, agradeça.

Leia novamente a passagem de Colossenses,13-18. Leia vagarosamente, saboreando cada palavra. Sem pressa, pare nas palavras que mais chamam atenção.
Agradeça a Deus por este momento de oração.


[1] Carta encíclica Laudato Si’, Papa Francisco (2015), sobre o cuidado da casa comum.


Rezar com o Presépio

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Nasci em Belém do Pará, moro em Brasília. Sou bibliotecário desde 1985.

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