Retiro do Advento & Natal — quarta semana

Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade!
Lc 1,38
Introdução
Seguramente, na felicidade de Maria estava a nossa felicidade. Com Ela também podemos dizer que somos felizes porque, tal como os simples de coração, ousamos acreditar no grande mistério da salvação, acessível àqueles que, como Maria, colocam suas vidas inteiramente nas mãos do Senhor a serviço da redenção da humanidade.
Nossa proposta de oração para esta semana quer nos ajudar a saborear com Maria sua alegria, com um coração agradecido a Deus, por Ele ter-se dignado nos aceitar como filhos amados seus. Abramos o coração para acolhermos as graças do Senhor!
Proposta da oração: 4º Domingo do Advento
Oração preparatória: Pedir luz ao Espírito Santo para mais saborear o encontro de Maria com Isabel.
Recordar a história: A história a ser contemplada é o que sucede à concepção de Maria. Ou seja, sem perder tempo ela se dirige à região montanhosa para visitar sua prima, Isabel. Acompanhemos o desenrolar dos fatos.
Composição de lugar: Trata-se de, com o olhar da imaginação, contemplar as montanhas de Judá. Ver as dificuldades do caminho para se chegar à casa de Isabel na qual acontece o grande encontro entre as duas mulheres de fé que gestam no ventre, precursor e Salvador.
Graça: Senhor, concede-me a graça de ter um coração como o de Maria, capaz de acolher o mistério da salvação e de transformar-me em sinal de redenção para aqueles que Tu mesmo colocas em meu caminho.
Leio o texto de Lc 1, 39-45 uma, duas ou mais vezes e fecho a Bíblia.
Textos para a semana
Segunda-feira (23.12)
— Lucas 1, 57-66: “Quem será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.”
Antes de o anjo Gabriel aparecer à Virgem Maria e perguntar-lhe se Ela aceitaria ser a Mãe do Salvador, já tinha visitado o pai de São João Batista, Zacarias, que era sacerdote. Sua esposa chamava-se Santa Isabel. Ora, não tinham tido filhos porque, além de sua esposa ser estéril, ambos já estavam em idade avançada. Um dia, enquanto exercia sua função de sacerdote, apareceu-lhe o mensageiro divino, dizendo-lhe nada mais nada menos que o seguinte: “Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho, e tu o chamarás João” (Lc 1, 13). Zacarias, porém, duvidou da notícia do anjo. Quando Deus nos confia uma missão, também nos dá a força para bem nos desincumbirmos da tarefa a nós confiada!
Terça-feira (24.12)
— Lucas 1, 67-79: “E tu, menino, será chamado profeta do altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho…”
Às vésperas do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos é apresentado o Cântico de São Zacarias, entoado logo após o nascimento do filho a ele prometido por Deus. Humilde, deu-lhe o nome de “João”, conforme o anjo lhe havia ordenado. Sejamos humildes como ele e nunca duvidemos de que, para Deus, nada é impossível. Eis-nos o caminho que o Senhor nos mostra: “Ele há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz”. Não duvidemos de Deus! Basta olharmos para o presépio de Jesus!
Quarta-feira (25.12)
— João 1, 1-18: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus…”
Após quatro semanas de preparação espiritual, chegamos à Solenidade do Natal do Senhor, com o mesmo Jesus no coração, pela Sagrada Comunhão, que os pastores visitaram e os Reis Magos de longe foram adorar. Demos-lhe nosso presente: pode ser simples, como foi o dos pastores, que lhe deram o pouco que tinham para se alimentar durante a noite; pode ser rico e vistoso, como foram os presentes dos Reis Magos. Pouco importa. O que nosso Senhor quer de nós é um coração convertido para Ele. Um coração que, por sua graça, terá sido limpo de nossos pecados. Que não se diga de nós que Ele veio para os seus, mas nós não o recebemos. Que nós, após adorar o Menino Divino, saiamos também glorificando e louvando a Deus por tudo o que ouvimos e vimos. Ou, voltemos por “outro caminho”: convertidos para imitar o Amor de Deus por nos!
Quinta-feira (26.12)
— Mateus 10, 17-22: “Vós sereis odiados por todos por causa do meu nome.”
O Menino acaba de nascer e, no dia seguinte, o destaque é de Santo Estevão, a quem chamamos de protomártir. Fazia parte do grupo dos primeiros Diáconos. Bom pregador, anunciava Jesus e seu Evangelho com entusiasmo. Conhecia as escrituras do seu povo e sabia demonstrar que elas se realizaram em Jesus Cristo, seu Mestre, a quem tinha aderido de coração. Por isso foi apedrejado até a morte. Os que o condenaram tinham a impressão de estar vendo em seu rosto a face de um anjo.
Sexta-feira (27.12)
— João 20, 2-8: “O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu.”
A tradição identifica João com o Discípulo Amado e atribui a ele o Quarto Evangelho, que é o Evangelho do Discípulo. Quando foram verificar o que tinha acontecido no sepulcro de Jesus, Pedro e o Discípulo correm juntos, mas o Discípulo chega primeiro. Não entra, por respeito a Pedro, o mais velho e o primeiro dos apóstolos, mas, diz o texto, quem vê e crê é o discípulo. O discípulo é aquele que vê o invisível e acredita. O túmulo estava vazio. É claro que Pedro também acreditou, mas o evangelista quer destacar em primeiro lugar a importância de ser discípulo. A disposição de seguir o mestre é própria dos discípulos. Por isso a última palavra de Jesus a Pedro neste Evangelho será: “segue-me”.
Sábado (28.12)
Uma boa repetição* da semana ou
— Mateus 2, 13-18: “Ouve- se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, pois não existem mais.”
Jesus devia estar com dois anos quando Herodes Magno morreu. Sucedeu-o Herodes Antipas, seu filho, que mandou matar São João Batista. A crueldade de Herodes Magno era conhecida. Mandou matar muitos dos seus parentes e estrangular dois de seus filhos. Nada estranho, portanto, que algum Herodes da época tivesse mandado matar as crianças de Belém com a intenção de matar o Menino Jesus. O alvo era Jesus. São José foi avisado do perigo que o menino corria e levou-o com Maria para o Egito. José não podia avisar as famílias do perigo que corriam porque ele mesmo não imaginava que isso pudesse acontecer. Sabia, no entanto, que Herodes queria matar o Menino Jesus.
* Repetição: Outra possibilidade para a oração do último dia da semana é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia.
Retiro do Advento e Natal 2024
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Imagem: Luís Henrique Alves Pinto
