Retiro do Advento & Natal — segunda semana

A ação proposta pelo Batista interpela o nosso coração à conversão.
Introdução
Mais que a vigilância, convite da semana passada, nesta somos motivados a dar uma atenção ativa ao grande profeta asceta do deserto, João Batista, que nos incentiva com uma palavra de ordem: “preparai os caminhos do Senhor e endireitai suas veredas”. A geografia a ser contemplada é antes de tudo o nosso interior, nosso coração. É aí, sobretudo, que se encontram os caminhos sinuosos, as altas montanhas, os vales profundo da separação, da divisão. Tudo construído por nós mesmos.
A ação proposta pelo Batista interpela o nosso coração à conversão. Esta é uma exigência para que o Senhor não apenas passe pelo nosso caminho, mas permaneça conosco. É uma necessidade na qual todos nos encontramos, ainda que não estejamos atentos às moções que acalentam o nosso coração. A conversão é fruto da ação e da graça de Deus. Esta é a única força capaz de mover o nosso coração para Deus. Por isso, para que ela aconteça, a condição é um profundo encontro com o Evangelho, com Cristo.
Proposta da oração: 2º Domingo do Advento
Preparação: Tomo consciência de que estou na presença de Deus e de que Ele deseja encontrar-se comigo. Sinto-me acolhido. Preparo meu coração para este encontro. Para isso “é preciso vestir o coração”.
Recordando a história:
O diálogo do anjo Gabriel com a Virgem Maria articula-se em três momentos: a saudação e a mensagem; o anúncio da maternidade messiânica; e a revelação da divina maternidade no anúncio.
Maria conceberá por obra do Espírito Santo, fonte de vida, que vai descer sobre Maria, e o poder de Deus Altíssimo vai cobri-la com a sua sombra. O “sim” de Maria foi dado em total fé e submissão ao plano de Deus. É um verdadeiro exemplo de atitude que todo ser humano deve ter diante de Deus.
Por meio de Maria Imaculada, sabemos que a fidelidade é possível. Maria manifesta que a fidelidade ao desígnio de Deus não é um mito paradisíaco. A pureza da Imaculada nada mais é do que a transparência à vontade de Deus.
Composição de lugar: Imaginar Nazaré, vila pequena, simples, interior… a casa de Maria, os aposentos, seus pais… o que ela estava fazendo… rezando, serviços da casa…
Graça: Senhor, dá-me a graça de dizer sim como Maria ao teu projeto… confiança… coragem… gratuidade…
Leio o texto: Lc 1, 26-38.
Textos para a semana
Segunda-feira (09.12)
— Lucas 5,17-26: Homem, teus pecados são perdoados…
A incredulidade constitui um dos maiores obstáculos para que a Boa Nova de Jesus penetre no coração humano. No relato lucano esta dificuldade é apresentada em forma de preconceito, quer contra Jesus que atribui a si o que, segundo o poder religioso estabelecido, somente Deus poderia fazer, que é perdoar pecados, quer contra o paralítico que, sendo tal, era considerado impuro. Quando o coração humano se volta ao seu Senhor não existem barreiras que possam impedir o verdadeiro encontro. É o que aconteceu no caso do paralítico que, estando impedido de chegar até Jesus, foi conduzido por quatro pessoas generosas que não mediram esforços para ajudar aquele necessitado. A iniciativa do encontro é de Deus. Ele espera a abertura do coração humano.
Terça-feira (10.12)
— Mateus 18, 12-14: “O Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos.”
São Dâmaso, que hoje celebramos, cuidou da ovelha extraviada e das 99 que ficaram. Foi Papa no ano 366. Nasceu provavelmente em Guimarães, hoje Portugal. É considerado um dos mais notáveis papas do século IV. Uma das suas grandes iniciativas foi pedir a São Jerônimo que providenciasse um texto completo da Bíblia em latim. O povo já não entendia o grego e havia diversas traduções de partes da Bíblia em Latim. São Jerônimo examinou o que existia e traduziu tudo de novo a partir dos textos grego e hebraico. O resultado foi o que chamamos de Bíblia Vulgata, ou Bíblia popular. O Papa Paulo VI mandou fazer uma revisão da Vulgata de São Jerônimo e surgiu uma nova edição promulgada por João Paulo II, com o nome de nova Vulgata.
Quarta-feira (11.12)
— Mt 11, 28-30: “Vinde a mim todos vós…”.
De onde brotam a mansidão e a humildade? Como ativá-las e fazê-las crescer? Ninguém pode improvisá-las. A raiz última da mansidão-humildade é contemplativa. Nasce em um clima de oração, numa proximidade íntima que faz o nosso coração pulsar no mesmo movimento do Coração compassivo de Deus. Desse encontro, de coração a Coração, emergem das profundezas de nosso ser estes dinamismos mais humanos e mais divinos. A partir da fonte original, a mansidão e a humildade vão se expandindo na direção dos outros, alimentando novas relações, acolhendo o diferente, vibrando com o bem presente no outro… No ritmo de sua vida, o que mais se faz visível: mansidão e humildade? Ego inflado e soberba? Agradecimento assombrado ou ingratidão venenosa? Suavidade divina ou prepotência que petrifica? …
Quinta-feira (12.12)
— Lc 1, 39-47: “Bendita és tu entre as mulheres…”.
Sua casa, lugar de visitação e encontro, espaço humano de partilha, convivência, festa, ajuda…? Ou, casa cercada de parafernália eletrônica de segurança, com entrada rigorosamente controlada…, impedindo o acesso até mesmo dos mais próximos (parentes, amigos)? Seja uma casa sempre aberta: “entrada franca”; Casa, lugar do lava-pés, do mandamento novo, da amizade, da visitação… Casa, lugar de unção-acolhida, serviço e cuidado… Casa, lugar da gestação de novas vidas, da experiência de nascimentos permanentes…
Sexta-feira (13.12)
— Mateus 11,16-19: Com quem vou comparar esta geração?
A multidão não reconhece que João era o precursor e nem que Jesus era quem João anunciava, por isso não acolhe o convite feito por João. De igual modo rejeitam também o testemunho de João, asceta, despojado, bem como a atitude alegre de Jesus, tido por eles como aquele que come com os pecadores e publicanos. Deste modo, permanecem numa postura medíocre que lhes impede de se converterem. A verdadeira conversão exige uma tomada de atitude. Uma adesão à Palavra e ao convite de Cristo.
Sábado (14.12)
Repetição ou
— Mateus 17, 10-13: “Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles.”
Estamos esperando pela vinda do Senhor no Natal, primeiro, e no último dia, depois. Primeiro no Natal porque é quando se manifesta o Messias prometido e esperado por todo o povo. Mas onde está o profeta Elias, que deve vir antes que chegue o Messias? Já veio, diz Jesus. É João Batista. Não que Elias tenha se reencarnado em João Batista, como querem alguns, mas porque João desempenhou literalmente o papel de Elias como precursor do Messias, que é Jesus! O profeta Malaquias deixou escrito o que disse o Senhor sobre Elias: “Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o grande e terrível Dia do Senhor. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais”.
* Repetição: Outra possibilidade para a oração do último dia da semana é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia.
Retiro do Advento e Natal 2024
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Imagem: Luís Henrique Alves Pinto
