Retiro do Advento & Natal — primeira semana

A primeira semana do Advento está centralizada na vinda do Senhor no final dos tempos.
Introdução
A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor no final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vigília, mantendo uma especial atitude de conversão.
O evangelho de Lucas descreve, de maneira metafórica, os acontecimentos que precederiam esta segunda vinda de Jesus. Por causa disto, Lucas convida todos os irmãos e irmãs a se manterem fiéis e vigilantes para, de pé, receberem o Filho do Homem.
O texto do evangelho do primeiro domingo trata da libertação que chega. Nos versículos anteriores, Lucas nos falava do assédio a Jerusalém (21, 20-23). Agora, alude à segunda vinda de Jesus, quer dizer, ao que chamamos de parusia. O discurso de Jesus é apocalíptico e adaptado à cultura de seu tempo (apocalipse não significa catástrofe, como somos levados a pensar, mas revelação), e precisamos reler estes sinais do mundo natural no terreno da história, que é o lugar em que o Espírito se manifesta. A segunda vinda do Senhor revelará a história a si mesma. A verdade que estava oculta aparecerá em plena luz. Todos chegaremos a nos conhecer melhor (1Cor 13, 12b).
Existem em nós a angústia, o medo e o espanto, não causados pelos “sinais no sol, na lua e nas estrelas”. Nossas angústias e inseguranças são motivadas mais pelas crises econômicas, pelos conflitos sociais, pelo abuso do poder, pela falta de pão e trabalho, pela frustração… por tantas estruturas injustas, que somente poderão ser removidas pela mudança – do amor de Deus e sua justiça – no coração do ser humano.
A mensagem de Jesus não nos livra dos problemas e da insegurança, mas nos ensina como enfrentá-los. O discípulo de Jesus tem os mesmos motivos de angústia que o não-crente; mas ser cristão consiste numa atitude e numa reação diferente: a atitude de esperança que mantém nossa fé nas promessas do Deus libertador e que nos permite descobrir os passos deste Deus no drama da história. A atitude de vigilância a que nos leva o Advento, é a de ficarmos alertas para descobrir o “Cristo que vem” nas situações atuais e a enfrentá-las como processo necessário de uma libertação total que passa pela cruz.
Proposta de oração – 1° Domingo do Advento:
Preparação… Coloque-se na presença de Deus… respire profundamente, sinta seu corpo e acolha a presença do Deus da Vida em você e ao seu redor…
Recordar a história… da salvação, como Deus age na vida da humanidade… como Ele se faz um de nós, vem morar no meio de nós… “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi um rebento dado à justiça, que vai implantar a justiça e o direito no país”(Jr 33,15).
Ler o texto bíblico: Lc 21,25-28.34-36.
Textos para a semana
Segunda-feira (02.12)
— Mateus 8, 5-11: “Senhor eu não sou digno de que entres em minha casa…”
A cura do servo do centurião na primeira semana do Advento nos faz ver a mesa posta no futuro, quando o Senhor vier em sua glória. Foi posta a mesa do Reino dos Céus e muitos, vindos do Oriente e do Ocidente, a ela se assentarão com Abraão, Isaac e Jacó. Deus disse a Abraão que nele seriam abençoadas todas as nações da terra. Promessa que, segundo a carta aos Gálatas, não pode ser anulada pelo que veio depois, restringindo-a aos observantes da Lei. A promessa deixou aberta a porta do banquete celeste para os que virão do Oriente e do Ocidente.
Terça-feira (03.12)
— Lc 10, 21-24: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra…”.
O texto de hoje nos apresenta o retorno da missão dos setenta e dois discípulos. Eles voltam dessa missão conscientes de terem libertado os homens do mal moral e físico, graças ao uso que eles fizeram do poder de Jesus.
A igreja tem a missão de dizer abertamente que a sua vida está em suas próprias mãos e não na fatalidade. Não basta denunciar as alienações, é preciso curar suas feridas, lutar contra as doenças mentais, a velhice, o isolamento, recusar as pressões que conduzem os homens ao vicio e a injustiça.
Jesus, por meio de sua missão, revela-nos que a fé, a caridade, o cristianismo são, antes de qualquer coisa, a pura intervenção de Deus como primeiro ser que nos amou. Deus revelou-nos Cristo e garantiu–nos um grande privilegio quando nos deu a oportunidade de ver e ouvir Jesus, que ainda hoje vive na Igreja. Tudo isso é graça de Deus.
Quarta-feira (04.12)
— Mateus 15, 29-37: Jesus cura muitos e multiplica os pães
A liturgia de hoje nos traz dois sinais do Reino. O primeiro é a cura de muitos enfermos com a qual o evangelista nos quer mostrar que estamos nos tempos do Messias segundo as profecias de Isaías. O segundo sinal do Reino é o banquete narrado na primeira leitura e no salmo. Nos dias do Messias, o Senhor brindará com um banquete a todos os povos em Sião. Estamos nesses “últimos dias”. Jesus convida, não já a todos os povos, senão a todos os pobres (coxos, aleijados mancos, enfermos) a uma ceia de solidariedade. Jesus pergunta a seus discípulos quantos pães têm, chama-os à solidariedade, a sair de si. Logo convida a todos a fazerem o mesmo: “mandou que as pessoas se sentassem no chão”. Este sinal de mútua solidariedade se transformou em alimento para todos, o verdadeiro sinal do Reino messiânico e cumprimento das promessas de Isaías.
Quinta-feira (05.12)
— Mateus 7, 21.24-27: Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos céus.
A liturgia de hoje nos apresenta o final do Sermão da Montanha, no evangelho de Mateus (5-7). Este nos conta que a pregação de Jesus tem muito êxito entre as cidades pobres do norte do país. Gente de muitas cidades o seguia, então ele decide subir ao monte e expõe num longo discurso, sua lei de vida, o ideal de vida da comunidade. Chama bem-aventurados os pobres e reinterpreta a lei do Antigo Testamento, centrada no cumprimento de regras e preceitos, antepondo a toda a lei o respeito ao ser humano, à sua dignidade. É neste contexto que aparece o evangelho do dia de hoje.
Sexta-feira (06.12)
— Mateus 9,27-31: “Tem compaixão de nós, filho de Davi!”
Mateus narra a cura de dois cegos na passagem de Jesus por Jericó, a caminho de Jerusalém (Mt 20,29-34). Este episódio também é narrado por Marcos e Lucas, com a cura de apenas um cego. Mateus, com pequenas diferenças, repete aqui esta narrativa da cura, inserida no bloco de dez milagres que reúne como afirmação do caráter messiânico de Jesus. Fundamenta, assim, a autoridade que Jesus confere aos doze apóstolos em fazer exorcismos e curas em sua missão.
Sábado (07.12)
Repetição ou
— Mateus 9,35-10,1.6-8: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias.”
Pelo Batismo, passamos a trabalhar na Messe do Senhor. Mas por que será que Deus nos chama para levar sua doutrina de paz por toda parte onde estivermos? Ele, como o Senhor da Messe e Deus, não poderia fazer isto sozinho? Poderia, mas em seu plano divino quis precisar de homens e mulheres: assim como poderia aparecer entre nós já adulto, mas quis tomar um corpo igual ao nosso, no seio puríssimo da Virgem Maria. Foi seu imenso amor por nós que o levou a agir dessa forma. O amor é o contrário do egoísmo que leva a pessoa a fechar-se em si mesma. O Pai ama o Filho, e esse amor é o Espírito Santo! O amor nos leva a ajudarmos o próximo em suas necessidades; leva-nos a termos a humildade de aceitar sermos ajudados pelo outro; leva-nos a cumprirmos nosso deveres do melhor modo possível, porque a Messe não é nossa, é do Senhor!!
* Repetição: Outra possibilidade para a oração do último dia da semana é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia.
Retiro do Advento e Natal 2024
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Imagem: Luís Henrique Alves Pinto
