Retiro do Advento & Natal 2023 — Semana IV

VEM, SENHOR JESUS!
Na mística da encarnação
Introdução
Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade!
Lc 1,38
Seguramente, na felicidade de Maria estava a nossa felicidade. Com Ela também podemos dizer que somos felizes porque, tal como os simples de coração, ousamos acreditar no grande mistério da salvação, acessível àqueles que, como Maria, colocam suas vidas inteiramente nas mãos do Senhor a serviço da redenção da humanidade.
Nossa proposta de oração para esta semana quer nos ajudar a saborear com Maria sua alegria, com um coração agradecido a Deus, por Ele ter-se dignado nos aceitar como filhos amados seus. Abramos o coração para acolhermos as graças do Senhor!
Proposta da oração: 4º Domingo do Advento (24 dez.)
Oração preparatória: Pedir luz ao Espírito Santo para mais saborear o encontro de Maria com o Anjo Gabriel
Recordar a história: A história a ser contemplada é a concepção de Jesus no ventre de Maria. Este grande Mistério da Encarnação!
Composição de lugar: Trata-se de, com o olhar da imaginação, contemplar a pequena cidade de Nazaré. Ver o caminho para se chegar à casa de Maria na qual acontece o grande encontro entre Maria e o Anjo. Ela estava dentro de casa, de fora no jardim? O que estava fazendo? Algum trabalho doméstico? Em oração?
Graça: Senhor, concede-me a graça de ter um coração como o de Maria, capaz de acolher o mistério da salvação e de transformar-me em sinal de redenção para aqueles que Tu mesmo colocas em meu caminho.
Leio o texto de Lucas 1, 26-38.

Textos para a semana
Segunda-feira (25 dez.)
João 1, 1-18
Natal do Senhor Jesus
Natal, encontro vivo com o Filho de Deus!
Este Evangelho é da Missa do dia de Natal. O trecho escolhido pela Sagrada Liturgia é de São João. O texto, de certa forma, faz-nos lembrar as primeiras palavras do início do Gênesis: “No princípio, Deus criou o céu e a terra.”(Gn 1,1); Parece-nos que, com o nascimento de Jesus, começou uma nova criação. São novos tempos que o Senhor nos dá: “Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”)vv 4-5). Tomara que esta frase não se aplique a nós, mas que tenhamos compreendido, durante este Advento, a mensagem de amor trazida pelo Menino Deus, e que nos tenhamos deixado iluminar por sua luz: “O Verbo era a verdadeira luz que vindo ao mundo, ilumina todo homem”. (v.9). Peçamos força para que não aceitemos os holofotes do mundo!
Terça-feira (26 dez.)
Mateus 10, 17-22
Santo Estevão
As testemunhas são perseguidas.
Hoje Jesus prepara-nos para a perseguição e encoraja-nos a aceitá-la e encará-la como algo significativo em nossas vidas. Há muitos meios de sofrer perseguição – uma consequência de nossa fé -, que vão desde o sofrimento, causado pelas fraquezas e desentendimentos, até o martírio.
Jesus avisa-nos de que isto é normal na vida cristã, pois em certo âmbito e em certas ocasiões, o verdadeiro testemunho traz consigo a perseguição. Isso não deveria desconcertar-nos. A perseguição por causa de Cristo é uma bênção. Ela torna a fé cristã mais madura quando a perseverança é posta à prova, assim como a capacidade de escolher entre Cristo e o “mundo”.
Quarta-feira (27 dez.)
João 20, 2-8
Ele viu e acreditou.
São João Evangelista ou Apóstolo João, foi um dos doze apóstolos de Jesus e, além do Evangelho, também escreveu três epístolas (1, 2, e 3) e o Livro do Apocalipse. João seria o mais novo dos 12 discípulos; tinha, provavelmente, cerca de vinte e quatro anos de existência, à altura do seu chamado por Jesus. Consta que seria solteiro e vivia com os seus pais em Betsaida. Era pescador de profissão – consertava as redes de pesca. Trabalhava junto com seu irmão Tiago e em provável sociedade com André e Pedro.
As heranças deixadas nos escritos de João demonstram uma personalidade extraordinária. De acordo com as descrições, ele seria imaginativo nas suas comparações, pensativo e introspectivo em suas dissertações e pouco falador como discípulo. É notório o seu amadurecimento na fé através da evolução da sua escrita. Segundo os registros do “Novo Testamento”, João foi o apóstolo que seguiu com Jesus na noite em que Ele foi preso. O apóstolo foi corajoso ao ponto de acompanhar o seu Mestre até a morte na cruz.
Quinta-feira (28 dez.)
Mateus 2, 13-18
Santos Inocentes
Esta narrativa de Mateus expressa um êxodo às avessas. O Egito não é mais o lugar da opressão, mas o lugar da proteção. O opressor não é mais o faraó, mas o rei idumeu-judeu que reina sobre a Judeia e toda a Palestina. Mateus nos mostra que um homem, acreditando nos sonhos, salvou Deus. Assim ele fala: Após o regresso dos magos, eis que o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: Levanta-te, toma o Menino e a Mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para o matar. Foi um sonho. E para que soubéssemos disso, a única fonte foi o próprio José.
Acreditando no sonho, ele partiu para uma viagem de muitos quilômetros, no deserto do Sinai, tirando o Deus humanado das garras de um sanguinário. A empreitada da fuga foi dolorosa. A temperatura no deserto, à noite, chega a zero grau e durante o dia a cinquenta graus positivos. A Sagrada Família seguiu por um caminho que nem José conhecia, mas sabia que devia, por cautela, desviar dos caminhos por onde circulavam os judeus, egípcios e romanos. Havia ainda o risco de encontrar ladrões e feras do deserto, até chegarem às terras do Egito, onde se viram salvos.
Sexta-feira (29 dez.)
Lucas 2, 22-35
Agora, Senhor, posso partir…
Esta cena evangélica nos apresenta a futura missão de Jesus. A cena da apresentação do menino Jesus no templo e o rito de purificação de Maria são ricos em detalhes que evidenciam a identidade do Salvador. Revestem-se de um conjunto de elementos proféticos, pelos quais a existência de Jesus se pautará. Ele foi apresentado como pobre. Seus pais ofereceram um casal de rolinhas ou dois pombinhos, como era previsto para as famílias mais pobres. Aliás, toda a vida de Jesus transcorrerá na pobreza. Com o rito de oferta, o Messias tornava-se uma pessoa consagrada ao Pai. Esta será uma marca característica de sua existência. Não se pertencerá a si mesmo; todo seu ser estará posto nas mãos do Pai, por cuja vontade se deixará guiar.
O velho Simeão definiu a missão do Messias Jesus: ser luz para iluminar as nações e manifestar a glória de Israel para todos os povos. Por meio de Jesus, a humanidade poderia caminhar segura, sem tropeçar no pecado e na injustiça, e, assim, chegar ao Pai. Por outro lado, o Messias Jesus estava destinado a ser sinal de contradição. Quem tivesse a coragem de acolhê-lo, seria libertado de seus pecados. Mas, para quem se recusasse aderir a Ele, seria motivo de queda. Portanto, Jesus seria escândalo para uns, e ressurreição para outros.
Sábado (30 dez.)
Repetição* ou Lucas 2, 36-40
O menino crescia e tronava-se forte…
Se há uma coisa que nos chama a atenção quando lemos o Evangelho da Apresentação de Jesus no Templo é a presença de duas pessoas que todos os dias iam à casa do Senhor: o ancião Simeão e a profetisa Ana. A perseverança de Ana de Simeão, de irem todos os dias ao Templo, na expectativa de poderem ver o Messias, é muitíssimo edificante, conforme se pode ler no Santo Evangelho de São Lucas (cf. Lc 2, 22-40).
O mesmo Jesus que eles encontraram no Templo nós o temos todos os dias, exatamente como eles, tão vivo, nos sacrários de nossas igrejas. Mais do que isso: Ele se faz alimento para poder se unir a nós mais ainda, fortificando-nos a alma! E que importância damos a esse maravilhoso milagre que somente Deus poderia realizar? Quando foi que nos confessamos e comungamos? Quando passamos diante de uma igreja em que Jesus está presente no Sacrário, e entramos para cumprimenta-lo e conversar com Ele?
* Repetição: Outra possibilidade para a oração do sábado e também dos próximos, é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia. Lembrando-nos de que “não é o muito saber que satisfaz a pessoas, mas o saborear internamente, com fé, o que o Senhor nos revelou” (EE 15).
Retiro de Advento e Natal 2023
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Pintura da capa: Pe. Luís Renato,SJ
Pinturas das semanas: Luís Henrique

