Retiro do Advento & Natal 2023 — Semana I

VEM, SENHOR JESUS!
Na mística da encarnação
Introdução
A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor no final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vigília, mantendo uma especial atitude de conversão.
O evangelho de Lucas descreve, de maneira metafórica, os acontecimentos que precederiam esta segunda vinda de Jesus. Por causa disto, Lucas convida todos os irmãos e irmãs a se manterem fiéis e vigilantes para, de pé, receberem o Filho do Homem.
O texto do evangelho do primeiro domingo trata da libertação que chega. Nos versículos anteriores, Lucas nos falava do assédio a Jerusalém (21, 20-23). Agora, alude à segunda vinda de Jesus, quer dizer, ao que chamamos de parusia. O discurso de Jesus é apocalíptico e adaptado à cultura de seu tempo (apocalipse não significa catástrofe, como somos levados a pensar, mas revelação), e precisamos reler estes sinais do mundo natural no terreno da história, que é o lugar em que o Espírito se manifesta. A segunda vinda do Senhor revelará a história a si mesma. A verdade que estava oculta aparecerá em plena luz. Todos chegaremos a nos conhecer melhor (1Cor 13, 12b).
Existem em nós a angústia, o medo e o espanto, não causados pelos “sinais no sol, na lua e nas estrelas”. Nossas angústias e inseguranças são motivadas mais pelas crises econômicas, pelos conflitos sociais, pelo abuso do poder, pela falta de pão e trabalho, pela frustração… por tantas estruturas injustas, que somente poderão ser removidas pela mudança – do amor de Deus e sua justiça – no coração do ser humano.
A mensagem de Jesus não nos livra dos problemas e da insegurança, mas nos ensina como enfrentá-los. O discípulo de Jesus tem os mesmos motivos de angústia que o não-crente; mas ser cristão consiste numa atitude e numa reação diferente: a atitude de esperança que mantém nossa fé nas promessas do Deus libertador e que nos permite descobrir os passos deste Deus no drama da história. A atitude de vigilância a que nos leva o Advento, é a de ficarmos alertas para descobrir o “Cristo que vem” nas situações atuais e a enfrentá-las como processo necessário de uma libertação total que passa pela cruz.
Proposta de oração – 1° Domingo do Advento (03 dez.)
Preparação… Coloque-se na presença de Deus… respire profundamente, sinta seu corpo e acolha a presença do Deus da Vida em você e ao seu redor…
Recordar a história… da salvação, como Deus age na vida da humanidade… como Ele se faz um de nós, vem morar no meio de nós… “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi um rebento dado à justiça, que vai implantar a justiça e o direito no país”(Jr 33,15).
Graça: Pedir conhecimento interno da pessoa de Jesus para mais amá-lo e seguí-lo.
Ler o texto bíblico: Marcos 13, 33-37

Textos para a semana
Segunda-feira (04 dez.)
Mateus 8, 5-11
Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado.
Ele não era um seguidor de Jesus, ele não era um discípulo de Jesus e nem tampouco um judeu. Era um oficial romano, de outra nacionalidade, tinha outros costumes, era acostumado a dar ordens e ser obedecido. No entanto, as suas palavras dirigidas a Jesus nos levam a refletir na nossa postura e pretensão diante de Deus quando queremos, porque queremos, ser atendidos nas nossas reivindicações: ‘Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. Apesar da nossa “falsa humildade” quando vamos suplicar de Deus algum favor, nós, pretensiosamente, desejamos regalias: oração só para nós, estar mais perto de Jesus do que os outros, ser distinguido com uma oração particular feita por alguém que tenha muitos dons e já seja reconhecido; etc. O reconhecimento da nossa incapacidade, da nossa limitação e a confiança no poder de Jesus nos tira da paralisia que o sofrimento nos impõe, pela doença, pela morte, ou por qualquer outro motivo. Aquele homem simplesmente confiou na Palavra de Jesus, nas promessas contidas no prontuário da Sua Missão: curar os doentes, libertar os oprimidos, consolar os que sofrem, anunciar a libertação dos cativos etc. E nós, o que desejamos? Será que nos esquecemos da Palavra de Deus a qual meditamos todos os dias? Tantas vezes o Senhor nos fala: não tenham medo, entreguem a mim os seus fardos, que queres que eu te faça?
Terça-feira (05 dez.)
Lucas 10, 21-24
Nessa hora, Jesus se alegrou no Espírito Santo…
Jesus envia os setenta e dois discípulos para anunciar o Reino de Deus por todos os povoados. Ao voltar, eles compartilham com Jesus seu êxito: “até os demônios se nos submetem em teu nome!”. E então escutamos a oração de Jesus, que a liturgia nos propõe hoje. Jesus dá graças a Deus, porque essas coisas não se manifestaram aos sábios e entendidos, mas aos humildes e simples. Termina louvando a seus discípulos porque está se cumprindo o que muitos profetas e reis esperaram. A pregação do Reino que fazem seus discípulos em nome de Jesus dá tanto resultado que até os demônios se submetem. Em Jesus, revela-se o Messias esperado, de uma maneira nova, porém, nos humildes e simples, porque Deus preferiu manifestar-se nos simples.
Quarta-feira (06 dez.)
Mateus 15, 29-37
Jesus cura muitos e multiplica os pães.
A liturgia de hoje nos traz dois sinais do Reino. O primeiro é a cura de muitos enfermos com a qual o evangelista nos quer mostrar que estamos nos tempos do Messias segundo as profecias de Isaías. O segundo sinal do Reino é o banquete narrado na primeira leitura e no salmo. Nos dias do Messias, o Senhor brindará com um banquete a todos os povos em Sião. Estamos nesses “últimos dias”. Jesus convida, não já a todos os povos, senão a todos os pobres (coxos, aleijados mancos, enfermos) a uma ceia de solidariedade. Jesus pergunta a seus discípulos quantos pães têm, chama-os à solidariedade, a sair de si. Logo convida a todos a fazerem o mesmo: “mandou que as pessoas se sentassem no chão”. Este sinal de mútua solidariedade se transformou em alimento para todos, o verdadeiro sinal do Reino messiânico e cumprimento das promessas de Isaías.
Quinta-feira (07 dez.)
Mateus 7, 21.24-27
Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos céus.
A liturgia de hoje nos apresenta o final do Sermão da Montanha, no evangelho de Mateus (5-7). Este nos conta que a pregação de Jesus tem muito êxito entre as cidades pobres do norte do país. Gente de muitas cidades o seguia, então ele decide subir ao monte e expõe num longo discurso, sua lei de vida, o ideal de vida da comunidade. Chama bem-aventurados os pobres e reinterpreta a lei do Antigo Testamento, centrada no cumprimento de regras e preceitos, antepondo a toda a lei o respeito ao ser humano, à sua dignidade. É neste contexto que aparece o evangelho do dia de hoje.
Sexta-feira (08 dez.)
Lucas 1, 26-38
Imaculada Conceição de Nossa Senhora: Maria, um exemplo de mulher.
Não há dúvidas sobre a isenção do pecado original para Maria. A Imaculada Conceição depende da soberana vontade de Deus em sua criação. Todos os homens nascem pecadores. Entretanto, quando Deus quer, pode fazer com que uma mulher nasça sem pecado. Essa isenção revela-nos que a hereditariedade do pecado não deve se concebida como um determinismo absoluto do mal, pois sabemos que pelo menos uma mulher não perdeu nenhum de seus talentos. Através de Maria Imaculada, sabemos que a fidelidade é possível. Maria manifesta que na fidelidade ao desígnio principal de Deus não é um mito paradisíaco. A pureza da Imaculada nada mais é do que esta transparência à vontade de Deus. Maria faz-nos compreender que a salvação não é somente o resgate dos pecadores, mas a comunicação da riqueza de Deus ao coração do homem.
Sábado (09 dez.)
Repetição ou Mateus 9, 35-10,1.6-8
Jesus em solidariedade com o ser humano.
Jesus declara, uma vez mais, sua solidariedade com as dores, aflições e misérias de seus irmãos. E tudo faz com seu divino poder para libertá-los. Mas seu compromisso vai muito além da degradação temporal desse povo. Jesus se aborrece com o desamparo espiritual de certas pessoas e sua alienação de Deus. Elas são como ovelhas separadas do rebanho. É por essa razão que Ele prega insistentemente o Evangelho de seu Reino e envia seus discípulos não somente para curar os doentes, mas também para anunciar a Boa-Nova e sua conversão.
Jesus mostra-nos o caminho da autêntica evangelização libertadora.
* Repetição: Outra possibilidade para a oração deste sábado e também dos próximos, é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia. Lembrando-nos de que “não é o muito saber que satisfaz a pessoas, mas o saborear internamente, com fé, o que o Senhor nos revelou” (EE 15).
Retiro de Advento e Natal 2023
Mensagem inicial • Proposta • Semana introdutória
Semana I • Semana II • Semana III • Semana IV
Tempo do Natal
Adquira os livros do Retiro de Advento e Natal 2023
na loja on-line das Edições Loyola [clique aqui]
Pintura da capa: Pe. Luís Renato,SJ
Pinturas das semanas: Luís Henrique

