Retiro Quaresmal 2021 — Quarta semana

É preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.

João 3,14-15
4º Domingo da Quaresma – 14 mar.

Jo 3, 14-21

…para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Estamos na metade da Quaresma, no domingo da Alegria… Uma parada diante da cruz, não somente do instrumento do suplício e da tortura, mas da cruz como instrumento de salvação… A cruz já transformada pela Páscoa… A cruz que fala do Amor louco de Deus e da sua vitória sobre as forças do mal… A cruz como uma árvore, uma árvore sobre a qual Jesus morre e sobre a qual renasce o primeiro nascido dentre os mortos. Uma árvore que dá fruto; a árvore da vida nova. Mas como pode ser esse domingo de alegria, sendo que São João afirma que a cruz é necessária para a salvação? “É preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna” (Jo 3,14-15). Mas o que fazer para experimentar a Alegria de ser salvo?

O trecho do evangelho de João que temos hoje é a continuação do encontro com Nicodemos, onde Jesus tinha dito a esse notável juiz que, para entrar no Reino dos céus, seria preciso renascer de novo: “Eu garanto a você: se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). E aí Nicodemos não entende o que Cristo lhe diz. O que é renascer? Esse novo nascimento? Ele diz a Jesus; “Como é que um homem pode nascer de novo, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe e nascer?” (Jo 3,4). Jesus salienta: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce da água e do Espírito” (Jo 3,5). E ele acrescenta: “Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é espírito” (Jo 3,6).

No fundo, esse diálogo com Nicodemos nos leva a entender o evangelho de hoje. Renascer da água e do Espírito é nascer de Deus; ter necessidade dele. Então, a primeira atitude a ter para experimentar a Alegria da salvação é, primeiro, saber-se limitado e ter a humildade de reconhecer nossa necessidade de Deus. É o que o evangelista João chama de se aproximar da luz: “Mas, quem age conforme à verdade, se aproxima da luz” (Jo 3,21). Se nós cremos somente em nós mesmos, em nossas forças, em nossas capacidades e em nossas virtudes, sofremos de egocentrismo e de orgulho, e isso deveria bastar para nos julgar nós mesmos. Como Deus pode fazer alguma coisa por alguém que não precisa de nada: “Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus” (Jo 3,18).

Não é esse mesmo orgulho que o autor do segundo livro das Crônicas detectou no povo de Israel e que o conduziu ao Exílio? “Javé, o Deus de seus antepassados, enviou seus mensageiros, uns após outros, pois queria poupar o seu povo e a sua habitação. Mas eles caçoavam dos mensageiros de Deus, levavam na brincadeira suas palavras, zombavam dos profetas” (2 Cr 36,15-16). Hoje ainda, será que nós vivemos frequentemente como se nós não precisássemos de nada? Pode ser que estejamos reagindo a más interpretações de Deus? Um Deus autoritário? Um Deus que julga? Que proíbe? Que condena? Em vez de um Deus que ama e que perdoa gratuitamente?

É por isso que nos falta humildemente olhar para a cruz; ela nos revela nossa fé e nossa falta de fé. Em outras palavras, levantar os olhos e olhar a cruz é ver a verdade sobre nós mesmos, sobre nossos limites e nossas fragilidades. Contemplá-la é ousar crer que para ela Cristo pode nos curar, nos salvar. Não por nada que são João faz o paralelo de Cristo na cruz como essa lenda da serpente de bronze levantada no deserto para que os israelitas que se faziam morder pela serpente pudessem recobrar a saúde olhando-a e contemplando-a. No fundo, é preciso olhar o mal em plena luz, para poder ficar curado.

Segunda-feira – 15 mar.

Jo 4, 43-54

Vai, teu filho está vivo.

O ser humano está sempre à procura da fé. Um homem odiado pelos judeus por ser pagão, um membro da família real, por estar serviço dos não menos odiados da casa real de Herodes. Dirige-se a Jesus e faz o pedido da cura do filho. O centro da narrativa está nos verbos “crer” e “viver”. Observa-se nesse relato um progresso na fé por parte do Pai, de uma confiança em que Jesus possa curar o seu filho, fé na Palavra de Jesus, fundada unicamente em sua autoridade. O relato nos mostra que a confiança total em Jesus faz milagres. Ter fé significa aceitar a Jesus com todos os riscos que isso possa acarretar. E há ainda outra característica, a fé nos abre para o diálogo e nos dá a certeza de que Jesus está no meio de nós, construindo conosco a história de nossas vidas. O oficial crê na Palavra de Jesus. A sua fé é confirmada pelo milagre, anunciado a eles pelos servos que lhe vêm ao encontro. A fé desse oficial passa por toda a família.

Terça-feira – 16 mar.

Jo 5, 1-16

Levanta-te e anda.

O doente ficou curado e liberto pela ação de Jesus. O aspecto importante dessa cura é que Jesus toma a iniciativa, diante da passividade desse enfermo. Muitas vezes, a severa interpretação de costumes e leis nos faz perder a oportunidade de ficar livres dos males que nos afetam. A atitude de Jesus manifesta sua constante iniciativa de salvar o que estava perdido. Para Deus sempre há uma possibilidade de libertação. Aqueles que preferem ficar à margem perdem a possibilidade de um encontro salvador com Deus. A libertação de Jesus consiste em uma total renovação de nosso ser à imagem do Criador. É por essa razão que ele não fica satisfeito apenas com a libertação do paralítico. Essa libertação é somente parte de uma salvação maior. Encontrando-o mais tarde no Templo, Jesus chamou-o para uma conversão dos pecados, a fim de que a libertação pudesse ser autêntica.

Quarta-feira – 17 mar.

Jo 5, 17-30

Tudo o que o Pai faz, o Filho também o faz.

O texto de hoje narra as obras do Pai (Deus) e do Filho (Jesus Cristo). É a primeira parte da resposta de Jesus sobre a cura realizada em dia de sábado. A grande tese é esta: “Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também”. A resposta de Jesus se dá mediante três temas: a dependência de Jesus ao Pai; a sua igualdade com o Pai; a apresentação da temática das coisas futuras. A Lei de Deus é a expressão de sua vontade, que deve ser compreendida, acolhida e vivida. Cristo garante que tudo passa; só o amor, que é Deus, permanece! A Lei é um instrumento pedagógico para ajudar o homem a viver o amor. Por isso, o respeito à Lei de Deus nos torna cidadãos de seu Reino. A nossa vida é assim: se deixarmos Deus agir, ficaremos admirados das novidades em nosso mundo. Ao chamar Deus de Pai, Jesus revela estar unido a ele, realidade que também é nossa.

Quinta-feira – 18 mar.

Jo 5, 31-47

O testemunho a favor de Jesus.

A narrativa do evangelho de hoje apresenta as testemunhas de Jesus. Diante do decreto da morte promulgado pelas autoridades judaicas, aparecem as testemunhas que depõem a favor de Jesus: João Batista, o Pai, a Escritura. Jesus reconhece em João Batista uma testemunha da verdade. Ele afirma, porém, que o testemunho mais autorizado é dado por sua divindade. Esse testemunho é o que o Pai dá ao Filho pelas obras que este realiza. O testemunho da verdade de Jesus é, antes de tudo, o próprio Jesus nas obras que realiza. São obras de poder e de amor, obras de sabedoria e de santidade que ultrapassam as possibilidades de um homem. Por essas obras, o Pai dá testemunho de Jesus, isto é, designa-o a nossa confiança. Esse testemunho ó o que Cristo dá a si mesmo. Testemunha por sua Palavra e reivindica por seus comportamentos uma autoridade divina.

Sexta-feira – 19 mar. (São José)

Mt 1, 16.18-21.24a

José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa…

Nem sempre é fácil entender o que Deus quer de nós. Poderíamos dizer que a conversão pode ser entendida como deixando para trás o que queremos aceitar os planos de Deus. Nem sempre é fácil dar esse passo, mas é verdade que assumir a vontade de Deus nos ajuda a descobrir que nele está o caminho da felicidade. O sonho de José nos remete aos sonhos do papa Francisco, que, em “Querida Amazônia”, nos mostra suas intuições para uma região sobre a qual o mundo tem outros planos. José poderia ter condicionado decisivamente a vida de Maria, provocando situações de morte, mas, em um sonho, ele entende que o caminho é outro, que Deus sempre opta escolhe a vida. Hoje, muitas grandes empresas e muitos governos querem instalar sistemas de morte na Amazônia, mas o Papa Francisco nos convida a sonhar com a vida que nasce de Deus. Ele sempre tem seus caminhos de realizar seus planos.

Sábado – 20 mar.

Repetição

A oração de cada sábado consiste no exercício chamado de repetição. Trata-se de aprofundar aquilo que rezei durante a semana. Santo Inácio diz: «Não é o muito saber que satisfaz a pessoa, mas o sentir e saborear as coisas internamente» [EE 2]. Por isso não é apresentada uma nova matéria de oração para este dia. Faço, pois, a oração, a partir do texto ou moção que mais me consolou ou que mais me desolou na semana que passou.

Obs.: Os comentários bíblicos são extraídos do Diário Bíblico – Editora Ave Maria e outras fontes.

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Material produzido pelo Pe. Luís Renato Carvalho de Oliveira, SJ, disponível no portal dos Jesuítas Brasil

Imagem: Luís Henrique Alves Pinto

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